21 de fevereiro de 2011

Radiohead - The King of Limbs (2011)


No dia 14 de fevereiro, o Radiohead anuncia, despretenciosamente, em sua página oficial, o lançamento do novo álbum, agendado para o dia 19. Com um dia de antecedência, o guitarrista Ed O'Brien informa que o álbum está disponível para download, e aproveita para divulgar o clipe de Lotus Flower, primeiro single do novo disco.

Assim veio ao mundo o The King of Limbs, bem diferente do alarde criado em torno do lançamento de In Rainbows, em 2007, com toda aquela história de "revolução na indústria fonográfica" e "pague o quanto quiser".

uma simpática representação da banda pelas mãos de nico di mattia

O oitavo álbum de estúdio da banda inglesa é o contraponto de seu antecessor: se o In Rainbows foi o retorno às guitarras, King of Limbs parece ser o abandono parcial delas. A guitarra de O'Brien ainda tem presença marcante em vários momentos do disco, como nas ótimas Morning Mr. Magpie e Little By Little, e na semi-acústica Give Up The Ghost, mas não tanto quanto antes. Não que isto seja um ponto negativo -- o Radiohead se sai muito bem sem guitarras, o que já foi comprovado em Kid A (2000) e Amnesiac (2001). Mas quatro anos parece muito tempo para apenas oito canções minimalistas com duração total de 37 minutos, e sem nenhuma faixa, digamos, fora do comum.

No geral, The King of Limbs é um registro orgânico e introspectivo que alcança profundidade através das letras provocantes e da voz aguda de Yorke, das batidas cativantes, das linhas marcantes de baixo e dos loops de teclado. Com uso mais forte de sintetizadores, a sonoridade do álbum se aproxima bastante do indie electronic depressivo de Kid A e do synth-pop experimental de The Eraser, o ótimo trabalho solo de Thom Yorke. Mas faltam-lhe canções intensas como The National Anthem, Go To Sleep, There There e Reckoner.

Ainda assim, é um disco que acaba vencendo pela sua regularidade e beleza minimalista. Vale destacar o ótimo trabalho de Colin Greenwood no contrabaixo, especialmente em Morning Mr. Magpie, Little By Little e Separator, além das idéias criativas de Phil Selway para a percussão (e aqui cabe mais uma mensão à Little By Little, além da "instrumental" Feral), e os lindos falsetes de Yorke em Lotus Flower. Fora isso, é só mais um bom disco do Radiohead.


Vídeos:
- Lotus Flower e a debochada dancinha de Thom Yorke, dirigida por Garth Jennings e coreografada por Wayne McGregor. Confira:


The King of Limbs [2011]
Nota: 8.8
Origem: Oxford, Inglaterra
Estilos: Alternative, Indie Electronic
Gravadora: XL
Duração: 37m32s
Artistas Similares: Coldplay, Doves, Kashmir, Mew, The Envy Corps, Thom Yorke
Myspace / Website

Faixas:
01. Bloom
02. Morning Mr. Magpie
03. Little by Little
04. Feral
05. Lotus Flower
06. Codex
07. Give Up the Ghost
08. Separator


E você, o que achou do disco? Escuta e comenta aí. ;]

10 comentários:

  1. Boa resenha, simples e direta. Bem, ouvi muito o disco, e realmente gostei de Lotus Flower e Separator, tanto pelas melodias quanto pelas letras. Mas também não acho que tenha uma música marcante, como voce disse. Espero pela continuação(lado B, whatever). Se for tão boa quanto a do In Rainbows já tá valendo!

    ResponderExcluir
  2. Hmm, valeu.
    Pois é, mesmo que a intensidade não seja mais a mesma, ainda é do Radiohead que estamos falando, certo? =]
    Tbm espero que seja verdade essa coisa de continuação...vamos aguardar pra ver.

    Abraço!

    ResponderExcluir
  3. Vou ter que concordar também, mas até na falta de 'mojo' o negócio é sensacional!

    ResponderExcluir
  4. Isso é fato: não tem jeito do Radiohead ser ruim.

    A não ser que o Thom Yorke abandonasse de vez os vocais pra seguir carreira de dançarino. Mas esperamos que isso nunca aconteça, certo?! heheh

    Falou!

    ResponderExcluir
  5. Achei viciante na verdade! Não tem aquele "punch"
    mas não consigo parar de escutar.

    Discordo sobre o lance das guitarras.
    Pelo que escutei (principalmente no headphone)apenas Feral, Lotus Flower e talvez Codex não tenham guitarras, mas as outras músicas
    são bem "guitar oriented".
    E acho que a guitarra dedilhada de "Morning..."
    é a de Johnny Greenwood, o timbre lembra muito
    a semi-acústica que ele usou em outros albuns.

    Sei que pode não parecer muito, pode ser que eu esteja viajando e tal, mas justamente o fato de
    lebram o amnesiac me faz acreditar nisso. Muitas
    músicas dos shows dessa época eram tocadas com várias guitarras.

    Bem vamos esperar pra ver ao vivo como é. E por uma continuação também. :j

    ResponderExcluir
  6. Hmmm...é, vc está certo.

    Tem guitarras sim no King of Limbs. Eu só não consigo ve-las se sobressaindo nas harmonias do álbum como via nos trabalhos anteriores, incluindo o Amnesiac.

    É só comparar com faixas como "I Might Be Wrong", "Knives Out" e "You And Whose Army?", que contêm alguns dos riffs e batidas mais deslumbrantes da dupla O'Brien/Greenwood. Mesmo assim, o disco é bom (!) e tem os seus méritos, claro.

    É isso aí. Obrigado pelas informações e por manifestar aqui sua opinião.
    Abraço

    ResponderExcluir
  7. Gostei da simplicidade da resenha também.

    A discussão sobre as guitarras no Radiohead já tem tempo. Elas nunca foram abandonadas, quem aprecia estudar as textutas de Kid A/Amnesiac, encontra elas espalhadas em vários instantes do disco.

    Sobre o novo disco, achei que faltou falar das letras, elas são fundamentais para se situar nesse disco. O universo criado por Thom Yorke, é de uma fantasia, um sonho, repleto de rios, pássaros, paixes, flores...E por esse universo que somos levados a partir de Bloom.

    Para mim é um grande disco, Codex está entre as letras e os acordes mais lindos da discografia, o arranjo de guitarras na parte final de separator (com Jonny fazendo um pequeno solo sem efeito e depois ele se misturando com a guitarra do Ed) é um dos mais belos da discografia da banda.

    Por sinal, Separator é uma das grandes canções da banda.

    GiveUpTheGhost poderia estar tranquila no The Bends, o violão, a letra o vocal do thom remete a isso...

    LittleByLittle tem um dos melhores arranjos de violão da discografia. A sequencia dedilhada por Jonny é soberba. E assim como In Rainbows, os vocais do Thom então entre os mais lindos da banda e isso não é pouca coisa.

    Resumindo pra mim: Um discaço.

    ResponderExcluir
  8. Opa, mais uma contribuição valorosa para nossa discussão.

    Não quis me delongar mto na resenha pq venho tentando ser mais sucinto. Por isso não falei sobre letras e outros detalhes do disco. Mas não há como resistir a uma boa discussão sobre música, certo? =p

    Sendo assim, com relação ao assunto "guitarras", há muito pano pra manga, mas ao meu ver elas estão, digamos, só um pouco menos expressivas neste disco. O Amnesiac, mesmo com todo o aparato eletrônico, reserva alguns dos melhores momentos guitarrísticos da banda! Já no King of Limbs não vejo muito isso...(to aqui ouvindo "Knives Out" enquanto digito e, bicho, tem nem comparação!) Ainda assim, concordo com vc quanto à "Little By Little" -- eu viajo com aqueles dedilhados! E o riffzinho de "Separator" tbm é matador.

    Já sobre as letras, posso dizer que mantiveram o nível. Gosto particularmente da letra de Lotus Flower, aquela coisa introspectiva e ao mesmo tempo provocante (como o próprio clipe). O resto você já falou, e muito bem.

    Enfim, é isso. Valeu o comment.
    Até mais, brother.

    ResponderExcluir
  9. bons sons neste blog =D

    nteressado em troca de links? se sim deixa msg em http://senaotensmaisnadaparaouvir.blogspot.com

    ResponderExcluir